Jornalistas norte-americanos fazem roda de conversa no Iespes sobre jornalismo na Amazônia


A jornalista Barbara Frase e o fotojornalista Paul Jeffrey, ambos norte-americanos, fizeram uma roda de conversa na terça-feira, 9, no Iespes, com o tema: “Narrativas jornalísticas sobre temas amazônicos”. Participaram professores, acadêmicos e profissionais das áreas do Jornalismo e de Gestão Ambiental, fazendo perguntas e dando contribuições sobre a prática jornalística na região.

O professor do curso de Jornalismo, Paulo Lima, conduziu a roda de conversa e afirmou que o debate foi inspirador. “O fio condutor do debate foi o jornalismo independente sobre as desigualdades amazônicas, infelizmente iguais aqui em nossa região e também em outras partes da Amazônia. Como mostrar os danos dos grandes investimentos para explorar os recursos naturais da Amazônia e a compreensão e realidade da gente que vive próximo a eles?”, pontuou.

Barbara Fraser mora no Peru e está em Santarém participando de uma série de atividades com organizações populares e universidades. Jornalista independente, ela atua na produção de reportagens sobre temas amazônicos ligados a questões ambientais e aos povos tradicionais, e contribui com as principais revistas científicas do mundo, como Science e Nature, entre outras.

A jornalista falou sobre os desafios de se trabalhar com as comunidades tradicionais na Amazônia peruana e sobre a necessária sensibilidade para se escolher o que deve ser contado através de suas reportagens, além da importância de dar voz às minorias.

Paul Jeffrey está acompanhando Barbara em uma viagem a regiões da Amazônia Brasileira para a busca de histórias para suas reportagens. Ele falou sobre as técnicas e dificuldades do fotojornalismo, citando guerras que já cobriu.

“Barbara chegou a afirmar o que é preciso ser mostrado são as histórias das pessoas que estão sofrendo, que está morrendo e perdendo sua cultura. Já Paul Jeffrey contou com bom humor sua experiência como fotojornalista na América Central tendo feito coberturas importantes como a derrocada da ditadura de Anastácio Somoza nos anos 1980”, relatou o professor Paulo Lima.

A acadêmica do 5º semestre do curso de Jornalismo do Iespes, Katrine Cardoso, que participou da roda de conversa, ressaltou que a discussão foi importante para incentivar os alunos a terem um pensamento crítico com relação aos temas ambientais e à região.

“É bom escutar jornalistas bem sucedidos que tentaram outros meios de noticiar a verdade, ou seja, que saíram do jornalismo comercial e entraram no independente, e ainda assim obtiveram sucesso. Barbara faz um jornalismo mais humanitário, voltado às minorias, dá voz às pessoas esquecidas pela grande mídia. Isso é uma inspiração, mostrar que ainda hoje se pode fazer um bom jornalismo”, destacou.

A programação marcou, no Iespes, a passagem do Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril. “O evento destacou a importância desse profissional à sociedade, considerando o direito do cidadão à informação e o compromisso do jornalista com a produção de informações responsáveis e comprometidas com a vida das populações”, ressaltou a coordenadora dos cursos de Jornalismo e Gestão Ambiental, professora Rosa Rodrigues.